Livio Oricchio

O que a confirmação de Hulkenberg explica do mercado

Livio Oricchio

20/X/14

São Paulo

O anúncio de que o conceituado Nico Hulkenberg vai continuar na Force India, em 2015, feito nesta segunda-feira pela equipe, representa uma prova de que entre as cinco melhores equipes do campeonato não deverá haver surpresas quanto a quem serão seus pilotos no ano que vem.

As três primeiras no Mundial de Construtores têm seus pilotos sob contrato. Antes do GP dos EUA, dia 2 de novembro, já se sabe que a Mercedes, líder com 565 pontos, vai em 2015 de Lewis Hamilton e Nico Rosberg, prováveis campeão e vice da temporada. A Red Bull-Renault, segunda colocada, com 342 pontos, também anunciou que a revelação do ano, Daniel Ricciardo, terceiro colocado entre os pilotos, e o jovem russo de 20 anos, Daniil Kvyat, da Toro Rosso, formarão a sua dupla.

Na sequência, a Williams-Mercedes, terceira com 216 pontos, trabalha com serenidade para 2015 por ter definido os seus pilotos há tempos, Valtteri Bottas e Felipe Massa.

Hulkenberg não encontrou espaço, de novo, na Ferrari, a quarta colocada entre as escuderias, com 188 pontos. Na organização de Maranello Fernando Alonso está fora. Para o seu lugar irá Sebastian Vettel, o atual tetracampeão do mundo, para se tornar o piloto mais bem pago da F1, com um contrato de três anos estimado de 30 milhões de euros por temporada.

Kimi Raikkonen tem contrato com a Ferrari também para 2015. É provável que seja o companheiro de Vettel. Mas Sergio Marchionne, novo presidente da empresa, além da Fiat, afirmou recentemente que dará um pé na bunda, rápido, em alguns integrantes do grupo. Não é de se descartar a possibilidade de Marchionne pagar a rescisão de Raikkonen. Como a Ferrari já fez no fim de 2009, para a chegada de Alonso.

O campeão do mundo de 2007, pela própria Ferrari, somou este ano nas 16 etapas realizadas apenas 47 pontos, 12.º colocado. Uma referência da sua baixa produção é o resultado de Alonso, com o mesmo carro. O asturiano tem 141 pontos, sexto no Mundial. E o contrato de Raikkonen lhe garante cerca de 20 milhões de euros por ano.

Na hipótese de Marchionne decidir substituir Raikkonen e sabe-se agora  Hulkenberg não é o homem, quem poderia ser então?

Os outros dois nomes possíveis são Romain Grosjean, da Lotus-Renault, e Jenson Button, McLaren-Mercedes. O francês é aguerrido ao extremo, como tanto aprecia a Ferrari. Quanto a Button, sua reduzida chance de competir ao lado de Vettel decorreria da hipótese de Fernando Alonso e Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, entrarem num acordo e o espanhol correr pela McLaren-Honda.

Como Alonso sabe que o primeiro ano dessa associação deverá ser difícil, pois será de desenvolvimento do chassi, hoje atrasado em relação a Mercedes, Red Bull e Williams, e da unidade motriz da Honda, estreante, não é impossível que o campeão do mundo de 2005 e 2006 simplesmente não dispute o campeonato.

Ele esperaria o fim de 2015 para ver quem estaria em condições de lutar pelo título em 2016 e então lançar-se no mercado. Porém, sem nenhuma garantia de obter um carro competitivo. Exatamente como já vive hoje essa situação e a experimentou no fim de 2007 quando, fora da McLaren-Mercedes e sem opção, foi pilotar para a Renault, na época um time apenas do pelotão intermediário da F1.

A McLaren é a quinta colocada nesse momento no campeonato, com 143 pontos. Os dois pilotos são desconhecidos. Dennis quer uma relação longa com Alonso, deseja que ele lidere a ascensão da McLaren à condição de candidata ao título talvez em dois anos. E para isso oferece a Alonso um contrato de três temporadas.

Aos 33 anos, tudo o que o espanhol deseja é dispor de um carro que lhe permita lutar pelas vitórias. Na McLaren-Honda muito provavelmente terá de esperar, tudo dando certo, um ano. Alonso não quer assinar por três anos, pois sonha em se transferir para a Mercedes no fim de 2015. O contrato de Hamilton termina. Mas o inglês já manifestou nunca ter se sentido tão bem num time.

Até o GP da Bélgica, Hamilton poderia mesmo deixar a Mercedes já no fim do ano, por sentir-se prejudicado pela equipe. Na sua cabeça, Rosberg tinha preferências. Mas depois de Spa-Francorchamps tudo mudou. O talentoso piloto inglês ganhou as quatro provas seguintes, Itália, Cingapura, Japão e Rússia, e abriu 17 pontos de vantagem na liderança do Mundial para Rosberg, 291 a 274.

Há uma grande chance de Hamilton estender o seu contrato com a Mercedes depois do fim da temporada. E como Rosberg também já tem compromisso com o time alemão, Alonso, mesmo sendo considerado o melhor piloto da F1, não teria espaço na organização dirigida por Toto Wolff e Niki Lauda, seu sonho.

Em resumo, ou Alonso aceita permanecer na McLaren-Honda por três anos ou vai assistir às corridas de casa. Kevin Magnussen, 21 anos, tem a preferência de Dennis para seguir na equipe. Assim, a dupla da McLaren-Honda em 2015 deverá ser Alonso-Magnussen ou ainda Button-Magnussen. Se Alonso não for trabalhar com Dennis, seu desafeto em 2007, é provável que Button permaneça, embora haja pressão do diretor do time, o francês Eric Boullier, para levar Grosjean para lá.

Na Force India, sexta colocada entre os construtores, com 123 pontos, Hulkenberg foi confirmado e é bem possível que o mexicano Sergio Perez também seja. É pouco provável que Perez esteja na lista de uma eventual substituição de Raikkonen. Voltar a McLaren é impossível. Ele foi dispensado no fim do ano passado.

O que está em aberto, portanto, dentre os seis primeiros, ao menos oficialmente, é uma vaga na McLaren, cujo maior candidato é Alonso, e uma na Force India, também quase definida, com Perez. Nas próximas semanas, antes do fim do campeonato, esses pilotos serão conhecidos, bem como se Marchionne vai substituir Raikkonen.